Introdução
A Reforma Tributária já está em andamento e os primeiros efeitos práticos chegam em 2026. Para empresas enquadradas no Simples Nacional, as mudanças vão além de uma simples troca de tributos. Elas impactam a forma como seus clientes enxergam o custo de comprar de sua empresa.
A transição para o IVA Dual vai alterar as regras de crédito tributário e pode afetar diretamente a competitividade das pequenas empresas no mercado das pequenas empresas no mercado B2B.
Neste artigo, nós apresentamos os pontos mais importantes sobre o que está por vir nesse período de transições formais, para ajudar na preparação antecipada da sua empresa ao novo cenário tributário.
- A mudança: crédito pelo imposto efetivamente pago
- O problema central: menor crédito, menor competitividade no B2B
- Impactos em setores desonerados: serviços e construção civil
- Gestão da transição: dois sistemas convivendo por 7 anos
- Tecnologia e fluxo de caixa: a chegada do Split Payment
A Mudança: Crédito pelo Imposto efetivamente pago
No regime atual, o Simples Nacional já limita o repasse de créditos de PIS, COFINS e ICMS para clientes Pessoa Jurídica (PJ). Com a Reforma Tributária (PEC 45/2019), essa lógica se aprofunda com o conceito de “crédito pelo imposto pago”.
A partir de 2026, com o início da transição de 7 anos e a alíquota teste de 1%, o comprador só poderá abater o IBS e a CBS se o fornecedor tiver efetivamente recolhido o tributo.
| Exemplo: Se você recolhe 3% no Simples, seu cliente recupera apenas 3%. Ao comprar de um concorrente no regime geral, esse mesmo cliente poderia abater cerca de 26,5% – uma diferença significativa no custo efetivo da operação.
O Problema Central: Menor Crédito, menor Competitividade no B2B
Empresas do Simples Nacional que recolhem o IBS e a CBS pela alíquota reduzida da guia única geram um crédito tributário inferior para seus clientes do regime geral.
Na prática, enquanto uma compra de um fornecedor comum permite que o cliente recupere cerca de 26,5% em créditos, a compra feita de uma empresa do Simples limite esse crédito ao valor efetivamente pago na guia, geralmente entre 2% e 4%.
Isso aumenta o custo efetivo da mercadoria para grandes indústrias e operações complexas, reduzindo a competitividade do pequeno negócio no mercado B2B.
Impactos em Setores Desonerados: Serviços e Construção Civil
Os setores de Serviços e Construção Civil, que hoje contam com desoneração na folha ou regimes específicos (como ISS fixo ou Regime Especial de Tributação), passarão a ser tributados pelo IVA Dual (IBS e CBS).
Embora existam alíquotas reduzidas para profissões regulamentadas e regimes específicos para o setor imobiliário, a regra geral de não cumulatividade plena será aplicada.
Para prestadores com poucos insumos, cuja maior despesa é a mão de obra, que não gera crédito tributário, será necessário refazer o cálculo de margem de lucro.
O impacto na competitividade varia conforme o perfil do cliente final:
- Cliente Pessoa Física (CPF): o imposto pode encarecer o preço final
- Cliente Pessoa Jurídica (CNPJ): a competitividade dependerá da capacidade de repassar créditos de 26,5% ao comprador
Gestão da Transição: Dois Sistemas convivendo por 7 anos
Confira como serão aplicadas as mudanças na prática:
| 2026 | Início com alíquotas teste (1% no total), marcando o começo oficial da transição. |
| 2027 – 2032 | Convivência entre o sistema antigo (PIS/COFINS e ICMS/ISS) e o novo IVA Dual (CBS/IBS) com aumento gradual das alíquotas. |
O principal desafio operacional será lidar com dois sistemas ao mesmo tempo durante 7 anos, o que exige organização contábil, tecnológica e financeira desde já.
Tecnologia e Fluxo de Caixa: o Split Payment entra em cena
A Reforma Tributária deve impulsionar a digitalização das empresas com o mecanismo de Split Payment (sistema em que o imposto é automaticamente separado e recolhido no momento do pagamento, sem passar pelo caixa da empresa).
Como consequência, o fluxo de caixa do pequeno negócio será afetado imediatamente a cada venda. A competitividade dependerá, cada vez mais, de quão organizada a empresa está para gerir esse fluxo em tempo real.
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